Me agarro a tua ausência com tal força
Com tal ímpeto que me assusto
Com tamanho desespero
Quebro unhas e dedos
Tentando segurar tua presença
Ausente demais pra ser palpável...
De tanto negar tornou-se visível
Nos olhos que desconheces
Nas mãos que espero...
Talvez a morte arranque você de mim
Como move esta terra sobre meus pés...
Talvez arranque as últimas gotas de sangue
Que me restam nas veias
Talvez ela traga sua voz
Ou o cigarro
Ou amenize a dor
Ou me faça não mais esperar
Me faça ver que sua voz gosta de me ferir
Na sua ausência
Você não sabe o quanto anseio
Você nem imagina
O quanto dói a vida dentro desse corpo
Mas você...É uma voz
Dentro do meu coração
Que fundi com incensos e essa música
E prendi no peito...
Pra te ter aqui...
Mas eu odeio essas mãos que se agarram
Nas suas palavras
Pra fingir que é sentimento...
Não fale comigo eu odeio sua voz que desconheço
Odeio essa angústia auto-intitulada de amor
Licor dos tolos...
Essa mágoa que acaricio
Abraçada brutalmente a ela
Como ao filho morto que embalo
Sentada na chuva lavando o peito
Limpando o sangue das várias vidas
Que beijei na morte
Saudando as lágrimas dos céus...
Agarro melodias e palavras
Que invento para acompanhar meu cortejo á vida..
.
Sonho que vivo...
Já vivi essa vida
Já carinhei essa dor
A certeza que ainda chorarei
Da angústia de rasgar meus olhos pra não te ver
De ver cicatrizar as mesmas feridas
Por milhares de séculos até restar apenas ossos
E mágoa...
Abandonada na névoa
Arrancando essas mãos
Esse coração esses olhos
Pra não me ferir
Mais com essa angústia
Pra não abraçar a solidão
Sonhando teu abraço...
Me agarro à tua ausência
Com tal força
Com tal ímpeto que me assusto
Com tantas feridas,
Tanto desprezo num só espelho
Tanta dor num só olhar...
Arrancaria de mim esse sonho
Se o fogo dessa dor não acalentasse minha mágoa
E afagasse meus cabelos na noite escura dessa ausência!
Nenhum comentário:
Postar um comentário