segunda-feira, 11 de maio de 2009

Canto

Cantarei a dor e a febre


Prostrada em dor e ódio


Sangue esvaindo dos olhos...


Enternecida por seus olhos


Transparentes


As flores murchando como meu rosto


Nesse esgar de angústia...


Eu não tenho idéias nem voz para cantá-las


Tenho ânsia e dor de vômito


Ressaca de mar


-de amar?-


E de vinho que escorre dos pulsos


Correndo nas veias...


Corte este pulso e essa vida


Dos meus dedos se movendo


Perante seus olhos


Esse líquido que escorre dos olhos


E amarga a boca nesse sal...


Disseram “lágrimas” diante do meu riso


Histérico quase insano


Boca rasgada num rosto sem feições...


Cantaria seus sonhos


Se os soubesse


Abriria seus olhos desse sonho


Sujaria seus lábios com esse beijo


Mofado,pisado de aranhas e poeiras risonhas...


Cantaria esse beijoque o vento rouba


Que eu permito tocar-me


Sonhando suas mãos


Mas dormes


Feito pedra...


Sua voz cantaria o vento


Que corta o mármore,


As sombras que restam não fazem companhia


Nem ouvem o canto que os ventos levam feito perfume


Das damas da noite...

Escondida nesse sofrimento moldo sua voz que sussurra


O que quero ouvir de sua voz de algodão nessa bocarra grotesca


Que pinto de vermelho

pra ver pingar seu cantar


Oh!Maldita voz que me encanta e fere por cantar minhas dores


Jorrar feito veia rompida esvaindo,esvaindo...


Esvaindo...


Meus cabelos ao vento teu perfume no ar


Sua voz ecoando no peito


Minha angústia a voar...


Canto a dor e a febre que me dominam e


Alucinam vagamente alegres


Com a dor que canto dançando sobre meu corpo saudando a solidão...

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