Cantarei a dor e a febre
Prostrada em dor e ódio
Sangue esvaindo dos olhos...
Enternecida por seus olhos
Transparentes
As flores murchando como meu rosto
Nesse esgar de angústia...
Eu não tenho idéias nem voz para cantá-las
Tenho ânsia e dor de vômito
Ressaca de mar
-de amar?-
E de vinho que escorre dos pulsos
Correndo nas veias...
Corte este pulso e essa vida
Dos meus dedos se movendo
Perante seus olhos
Esse líquido que escorre dos olhos
E amarga a boca nesse sal...
Disseram “lágrimas” diante do meu riso
Histérico quase insano
Boca rasgada num rosto sem feições...
Cantaria seus sonhos
Se os soubesse
Abriria seus olhos desse sonho
Sujaria seus lábios com esse beijo
Mofado,pisado de aranhas e poeiras risonhas...
Cantaria esse beijoque o vento rouba
Que eu permito tocar-me
Sonhando suas mãos
Mas dormes
Feito pedra...
Sua voz cantaria o vento
Que corta o mármore,
As sombras que restam não fazem companhia
Nem ouvem o canto que os ventos levam feito perfume
Das damas da noite...
Escondida nesse sofrimento moldo sua voz que sussurra
O que quero ouvir de sua voz de algodão nessa bocarra grotesca
Que pinto de vermelho
pra ver pingar seu cantar
Oh!Maldita voz que me encanta e fere por cantar minhas dores
Jorrar feito veia rompida esvaindo,esvaindo...
Esvaindo...
Meus cabelos ao vento teu perfume no ar
Sua voz ecoando no peito
Minha angústia a voar...
Canto a dor e a febre que me dominam e
Alucinam vagamente alegres
Com a dor que canto dançando sobre meu corpo saudando a solidão...
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