segunda-feira, 11 de maio de 2009

Devaneios de insanidade ou devaneios de 3 semanas

Nada melhor que uma tarde


numa biblioteca


lendo palavras estranhas


ignorando significados


só pra ver a pureza das letras


esperei por muito tempo


que o passado se dissolvesse


com o atrito da borracha no papel


mas ele é mais forte e teimoso que eu


e me assusta a cada banho


a cada troca de roupa


ou nas minhas ilusões noturnas


quando construo seus braços


ao redor do meu pescoço


seu olhar nesse corpo que abomino


não é pra emagrecer que rejeito a comida


mas pra ver se morro


se essa vida se dissipa diante dos meus olhos


à beira do pranto no meio da praça


maldigo a ti e a tristeza que acalento


Não!

Não quero ser feliz


queria um abraço, um afago


mais palavras no papel


mais sentimentos pra me assustar


consegui vender meus beijos


dormindo com pingüins


querendo um ronronar nas pernas


um gesto,uma palavra


me congelo na vida


odeio a ação


acomodei na solidão,

no teu colo invisível


me acostumei ao pranto


tanto que me impeço de sorrir...

Entristeço....


Talvez isso passe


junto com as estações que se alternam


talvez eu não queira mudar


aquelas tantas cartas que esbocei


pra queimá-las com cigarro


com a ausência


a apatia


a fidelidade que não consigo


a voz que me corta


a única pessoa que me falta


e só resta o canto,o coração


o lamento nele...


Discussão sobre perda de almas


constatação que a minha foi-se com o vento


tantos deuses e verdades que me perco


tanta falta do que fazer que me canso


tanta verdade pra ser mentira...


Me procuro nos teus olhos que esvoaçam


nos véus da noite


as pessoas que passam


que se sentam e se levantam


e vão pra qualquer lugar que


não me importa


em direções opostas


na fumaça do cigarro


queimando cartas e pulmões


corações de algodão


nuvem de espuma pregada no céu...


A obrigação impede a criatividade


a não liderança


a desconfiança


a desesperança


dessa letra feia...


O que dizer dos mortos?


Além de estarem mortos,


dos deuses além de terem o céu


dos anônimos que cantaram


tão bela e puramente


aconchego do abandono


anseio e claustrofobia


mais de dois meses pra rabiscar palavras desconexas


ordenadas num sussurro


cantarolar um medo num sorriso


música horrenda de riso feliz e falso...


Jurei não povoar as linhas


com as angústias que me pedem ouvido


preguei no rosto com durex


esse sorriso besta


_tirem a vida,mas nunca a insanidade!_


a solidão de ausência de crises e crenças


tão bela no meio do inferno


transito

-trânsito?-


dois mundos distintos


dois medos palpáveis...


Ele não está aqui mais


mas


nunca esteve


restou a marca na cama


o perfume e os cabelos caídos no chão


são seus....

Solidão....


Sentimentos bons


me mantenha longe deles


preciso de silêncio


e desapego


e desespero...


Ali eu passei horas divinas


em meio as lágrimas


esse maldito telefone


sua voz não me chama


outras mãos me querem


o grito preso nos cabelos pelos óculos


um surto leve

light


um sonho


dê-me um bombom


chocolate e música decente

um vinho e companhia...


Dê-me suas mãos


dê-me seis pensamentos


música para chocar...


Aguardo


Espero sua boa vontade

palidez de ausência e vinagre na saliva


-grito!-


Amarrotei meu rosto e a vida


me escondo


me escondo!


Essas palavras me enfurecem


(um favor que me faz!!!)

Não é sua voz que procuro!!!!


Nem sua ajuda..

.Nada simplesmente,nada de você....


Fúria...


Essa letra me persegue


nada de prisões

-sou um pássaro?-


nada de compartilhar minhas dores


nada de troca de favores


lá no fundo do mar


a solidão é boa


é boa a falta de presença


do calor no inverno


assim moldo pessoas na fumaça e fumo tudo no cigarro


nada de explicações

estou mal porque não estou bem


portanto esqueça


são estrelas apenas


são rabiscos que expressam minha desilusão


solidão...


Feliz dos que me tiveram?


Infeliz dos que cruzam meu caminho


recebeu minhas migalhas e mentiras convincentes


dignas de dó...

Ira?

Raiva violenta que corrói estômagos e crânios...


Abandonei meus sonhos e a mim mesma...


Daí eu pergunto:


Alguém notou a lua?


Desde ontem percebi que ninguém notou o sorriso no céu


Minguante?Crescente?Não sei..


Só sei que é lindo o pedaço destacado no céu....


Ninguém nunca está bem


ninguém nunca sabe lidar com os problemas dos outros


as sombras desenham no chão e ninguém percebe...


Ninguém percebe o sorriso no céu!!!


Eu sei que todos tem seus afazeres


e eu morro aqui com tanta ausência


me perdi entre seus dedos


nas crenças e no brilho da estrela


perto da boca do céu...


O casal ali briga com vontade


-tenho certeza que é apenas cismas bobas de apaixonados-


as pessoa passam e ninguém olha pra cima


ou pra baixo


só eu insisto em

me perder em detalhes ínfimos


e íntimos da sombra da lua que penso ser...

Sou a sombra da lua


sozinha sorrindo no chão


pateticamente triste,

mas se eu pudesse...


Alguém que pudesse


Alguém que notasse


o sorriso no céu...


O que eu deveria fazer?


Suponho que tornar minha vida mais amena


e largar de poesia...


Olhos tristes pregados nos passos dos outros..

.
Eu disse para largar de poesia!!!!


Largar de poesia e não mais olhar pro céu


nem notar sorrisos nos olhos


ou procurar olhos


ou esquecer tudo que pensei


Ser normal


tão normal que doesse e não importasse


como a moça que hoje olhos pro céu


mas perdeu o sorriso da semana passada


e o de ontem da criança


e de hoje no meio do caminho


ela não encontrou a lua


voltou seus olhos em direção aos seus planos e


_aposto que jurou nunca mais olhar ao céu!_


e se foi...


Talvez ele se sentou aqui querendo conversar


mas minha boca não quer palavras


só quer cigarro


a fuga da fumaça pelos poros pelos olhos


enquanto rabisco o cigarro se vai queimando


aquecendo as mãos...


Não gosto que me olhem


me maqueio pra me esconder,


entendeu?


Mas sempre notam...


Você seria o único se me quisesse


o único que notou o sorriso no céu


mas não importa...


Eu espero apenas


talvez seja tudo que posso desperdiçar


algo visivelmente meu


só meu e do resto do mundo..

.
O tempo a noite os cabelos


as linhas do caderno


as rugas ao redor da boca


esse sorriso


essa espera...


A realidade é invenção


e no fim tudo isso é um sonho....


Dolorido e ensurdecedor...


É..


Preciso ir na biblioteca de novo.....

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