Nada melhor que uma tarde
numa biblioteca
lendo palavras estranhas
ignorando significados
só pra ver a pureza das letras
esperei por muito tempo
que o passado se dissolvesse
com o atrito da borracha no papel
mas ele é mais forte e teimoso que eu
e me assusta a cada banho
a cada troca de roupa
ou nas minhas ilusões noturnas
quando construo seus braços
ao redor do meu pescoço
seu olhar nesse corpo que abomino
não é pra emagrecer que rejeito a comida
mas pra ver se morro
se essa vida se dissipa diante dos meus olhos
à beira do pranto no meio da praça
maldigo a ti e a tristeza que acalento
Não!
Não quero ser feliz
queria um abraço, um afago
mais palavras no papel
mais sentimentos pra me assustar
consegui vender meus beijos
dormindo com pingüins
querendo um ronronar nas pernas
um gesto,uma palavra
me congelo na vida
odeio a ação
acomodei na solidão,
no teu colo invisível
me acostumei ao pranto
tanto que me impeço de sorrir...
Entristeço....
Talvez isso passe
junto com as estações que se alternam
talvez eu não queira mudar
aquelas tantas cartas que esbocei
pra queimá-las com cigarro
com a ausência
a apatia
a fidelidade que não consigo
a voz que me corta
a única pessoa que me falta
e só resta o canto,o coração
o lamento nele...
Discussão sobre perda de almas
constatação que a minha foi-se com o vento
tantos deuses e verdades que me perco
tanta falta do que fazer que me canso
tanta verdade pra ser mentira...
Me procuro nos teus olhos que esvoaçam
nos véus da noite
as pessoas que passam
que se sentam e se levantam
e vão pra qualquer lugar que
não me importa
em direções opostas
na fumaça do cigarro
queimando cartas e pulmões
corações de algodão
nuvem de espuma pregada no céu...
A obrigação impede a criatividade
a não liderança
a desconfiança
a desesperança
dessa letra feia...
O que dizer dos mortos?
Além de estarem mortos,
dos deuses além de terem o céu
dos anônimos que cantaram
tão bela e puramente
aconchego do abandono
anseio e claustrofobia
mais de dois meses pra rabiscar palavras desconexas
ordenadas num sussurro
cantarolar um medo num sorriso
música horrenda de riso feliz e falso...
Jurei não povoar as linhas
com as angústias que me pedem ouvido
preguei no rosto com durex
esse sorriso besta
_tirem a vida,mas nunca a insanidade!_
a solidão de ausência de crises e crenças
tão bela no meio do inferno
transito
-trânsito?-
dois mundos distintos
dois medos palpáveis...
Ele não está aqui mais
mas
nunca esteve
restou a marca na cama
o perfume e os cabelos caídos no chão
são seus....
Solidão....
Sentimentos bons
me mantenha longe deles
preciso de silêncio
e desapego
e desespero...
Ali eu passei horas divinas
em meio as lágrimas
esse maldito telefone
sua voz não me chama
outras mãos me querem
o grito preso nos cabelos pelos óculos
um surto leve
light
um sonho
dê-me um bombom
chocolate e música decente
um vinho e companhia...
Dê-me suas mãos
dê-me seis pensamentos
música para chocar...
Aguardo
Espero sua boa vontade
palidez de ausência e vinagre na saliva
-grito!-
Amarrotei meu rosto e a vida
me escondo
me escondo!
Essas palavras me enfurecem
(um favor que me faz!!!)
Não é sua voz que procuro!!!!
Nem sua ajuda..
.Nada simplesmente,nada de você....
Fúria...
Essa letra me persegue
nada de prisões
-sou um pássaro?-
nada de compartilhar minhas dores
nada de troca de favores
lá no fundo do mar
a solidão é boa
é boa a falta de presença
do calor no inverno
assim moldo pessoas na fumaça e fumo tudo no cigarro
nada de explicações
estou mal porque não estou bem
portanto esqueça
são estrelas apenas
são rabiscos que expressam minha desilusão
solidão...
Feliz dos que me tiveram?
Infeliz dos que cruzam meu caminho
recebeu minhas migalhas e mentiras convincentes
dignas de dó...
Ira?
Raiva violenta que corrói estômagos e crânios...
Abandonei meus sonhos e a mim mesma...
Daí eu pergunto:
Alguém notou a lua?
Desde ontem percebi que ninguém notou o sorriso no céu
Minguante?Crescente?Não sei..
Só sei que é lindo o pedaço destacado no céu....
Ninguém nunca está bem
ninguém nunca sabe lidar com os problemas dos outros
as sombras desenham no chão e ninguém percebe...
Ninguém percebe o sorriso no céu!!!
Eu sei que todos tem seus afazeres
e eu morro aqui com tanta ausência
me perdi entre seus dedos
nas crenças e no brilho da estrela
perto da boca do céu...
O casal ali briga com vontade
-tenho certeza que é apenas cismas bobas de apaixonados-
as pessoa passam e ninguém olha pra cima
ou pra baixo
só eu insisto em
me perder em detalhes ínfimos
e íntimos da sombra da lua que penso ser...
Sou a sombra da lua
sozinha sorrindo no chão
pateticamente triste,
mas se eu pudesse...
Alguém que pudesse
Alguém que notasse
o sorriso no céu...
O que eu deveria fazer?
Suponho que tornar minha vida mais amena
e largar de poesia...
Olhos tristes pregados nos passos dos outros..
.
Eu disse para largar de poesia!!!!
Largar de poesia e não mais olhar pro céu
nem notar sorrisos nos olhos
ou procurar olhos
ou esquecer tudo que pensei
Ser normal
tão normal que doesse e não importasse
como a moça que hoje olhos pro céu
mas perdeu o sorriso da semana passada
e o de ontem da criança
e de hoje no meio do caminho
ela não encontrou a lua
voltou seus olhos em direção aos seus planos e
_aposto que jurou nunca mais olhar ao céu!_
e se foi...
Talvez ele se sentou aqui querendo conversar
mas minha boca não quer palavras
só quer cigarro
a fuga da fumaça pelos poros pelos olhos
enquanto rabisco o cigarro se vai queimando
aquecendo as mãos...
Não gosto que me olhem
me maqueio pra me esconder,
entendeu?
Mas sempre notam...
Você seria o único se me quisesse
o único que notou o sorriso no céu
mas não importa...
Eu espero apenas
talvez seja tudo que posso desperdiçar
algo visivelmente meu
só meu e do resto do mundo..
.
O tempo a noite os cabelos
as linhas do caderno
as rugas ao redor da boca
esse sorriso
essa espera...
A realidade é invenção
e no fim tudo isso é um sonho....
Dolorido e ensurdecedor...
É..
Preciso ir na biblioteca de novo.....
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