Eu sou uma bola de chumbo
no fundo do mar
enterrada na areia
bola de chumbo
gelada,inerte,estável,imutável
no fundo da areia do mar...
Antes eu fui hoje não mais
coração nunca mais...
Estou oca
como as órbitas desse rosto que me olha
bola de chumbo oca
lutando contra sentimentos
que não fazem sentido
roendo as unhas até os dedos
-ou os dedos até as unhas?...
Alegria insana:canto de pássaro na gaiola...
Tenho teus gestos
tua voz em mim gravada
num voar de pensamentos,
mas não são reais?
Não importa...
Você não vê
mas eu sou uma bola de chumbo
sem meiguice nos olhos
sem doçura nos lábios
só mãos duras
gestos vãos e um corpo oco...
Maquiada e montada
mas uma bola de chumbo
sem rosto nem sentimentos
só um canto ensaiado há séculos
pingando sangue
riscado de dor...
Eram mãos na areia moldando sonhos
que a onda levou num beijo...
"Você não ama alguém! você ama aquilo que sonhou
e o fruto de um sonho não se personifica!"
O vento gritava
mas eu não ouvia
porque eu estava no fundo do mar
e era uma bola de chumbo fria
e sonhando que amaria
e o sol aquecendo a água
e de repente era um mar de café quente
e eu envelhecendo e doendo
enferrujando e estranhando
a dor que me acompanha...
É triste ser sozinha
ter as mãos do vento pelo rosto
no cabelo,
no seu corpo
enquanto olhos te seguem e você nem vê ou nota...
È triste ser uma bola de chumbo
é loucura ser uma bola de chumbo!
Ninguém vai me machucar
enquanto estou aqui dentro
eu sou a bola
aqui dentro ninguém vê se chora
meus olhos
meu corpo tremente
eu sou a bola
e estou a salvo
se o café não derretê-la...
Um comentário:
Parabens!
Texto muito bom!
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