segunda-feira, 11 de maio de 2009

De que vale a beleza?

De que adianta a beleza? Se meus lábios não dizem doçuras, nem meus olhos despejam meiguice...

Rejeito a beleza que vêem em mim...

Que a paz de falar ao vento o poema mais triste sem o Sol se esconder...

Me tranquei dentro desse corpo, me escondendo de mim mesma, ansiando não ser como os demais.

De que adianta a beleza? Se meu coração é corrompido pela fatal doença dos orgulhosos...

Rejeito essa beleza que vêem em mim...

Quero a alegria de falar e ser entendida...

Me rejeito dentro dessa casca, que nada vale, que nada importa.

De que adianta a beleza? Se sou desagradavelmente amarga, marcada por minhas próprias mãos em busca da verdade; maior mentira a quem me entreguei...

Queria ser doce como a suave canção que jamais cantarei.

De que vale a beleza? Se nada valho, se nada fiz, se nada pude fazer.

Se só fiz derramar lágrimas de olhos alheios pro meus próprio prazer...

Queria não ter sido tão corrompida por meus desejos, por minhas mãos...Me rejeito hoje como nunca...

Rasgaria meu corpo, queimaria meu rosto, pra talvez ser mais feliz...

Com o peito em brasa, com a dor saindo pelos poros, coberta de pecados, enlameada da sujeira da vida, minha vida tão suja e injusta...

Mereço o desprezo e castigo dos Deuses se eles quisessem me castigar...

Mereço o desprezo e castigo da vida que me rasga a pele pra mostrar como é dura a realidade, como os sonhos são mais fáceis, como eu sou vil e imprestavelmente suja.


De que me adiantaria ser bela de verdade se meu peito corrompido das vaidades da vida se nega a me deixar viver...

Consciência doentia que me fere feito ferro em brasa...

São vozes, olhos e mãos que não me deixam esquecer quem sou...

Indigna, imunda, incompetente ser desprezível...

De que a beleza me valeria se fosse real?

Mais um sonho dentre tantos outros que desmoronaram abismo adentro, levando um pedaço de mim.

A beleza dos olhos que permanecem abertos depois que a vida se foi deixando um corpo inerte entregue às cantigas da eternidade...

Beleza? Onde?

No canto do pássaro que anuncia que a morte já vem, no mar calmo que leva meu pranto, no luar triste de noite escura, nas flores murchando na sepultura, nas lágrimas que caem num grito de dor

...Beleza? Pra longe de mim...

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