segunda-feira, 11 de maio de 2009

Enlouquecida...

Enlouquecida!Revoltada!Desiludida!


Arranquei você de mim como essas roupas que queimo


Queimo com cigarro dedos e medos e desejos


Face queimada de noites insones


De sombra plantada na porta


Vão de sonho revolvendo na cama...


Horrenda face em tão doce beijo


Horrendas mãos sufocando o grito


Horrendo sonho que me arrependo!


Olheiras grotescas sob os olhos


Que não mais enxergam por serem impuros demais...


Enlouquecida!Enfraquecida!Amedrontada!


Arranquei a carne pra gravar nos ossos


Inscrições profanas do ódio a esse amor!


Queimo as pontas dos dedos pra numerar


As cicatrizes que no corpo e na alma coleciono...


A dança que me arranca o lábio e as roupas


Queimo meus olhos e as roupas


Queimo seus olhos pra me vingar,
Impedindo-o de ver as cores que arranquei com as mãos...


Odiosas mãos que invento em mim


Queimando o corpo pra ver se te expulso


Demônio infame que me assusta


Espreitando-me como animal faminto


Ronronando em meus pés pra depois me devorar


E deixar meus restos na chuva


Abandonando minha nudez na rua ensangüentada


Enlouquecida e revoltada tristemente ensandecida


Por amar o sonho que odeio...


Oh...Deus ou Demônio que roda o mundo com as mãos


Arranque do peito essa chama que brilha e me enfeitiça


Tristemente...Esse amor,essa dor....


Essa lágrima tão puramente doce


Do abraço tão quente dos braços da solidão!

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