sexta-feira, 23 de março de 2012

Sobre o corpo ou sobre Francesca Woodman

Era um corpo morto em cima da calçada
mais um corpo morto em cima da calçada
era só mais um corpo morto na calçada
Era um corpo
na calçada

Era um corpo?

 A cabeleira clara cobria o que restava de um rosto
o olhar indomável explodira contra o chão
Recolheram a arte do chão com uma pá
amontoaram aquele excesso de dor e carência  num buraco cavado no chão

Era o corpo morto caído na calçada
Era mais um corpo morto na calçada
mais um corpo.

Mas ninguém sobrevive ao corpo.


Por favor, mais um copo.

Um comentário:

Renato Rodrigues disse...

Perfeito Sam.
Todos os dias, sem que a gente perceba, um pouco de nós cai nessa mesma calçada
Adoro Sempre