Havia restos mortais de um inseto não identificado sobre a mesa do computador, não analisei muito, tentava inutilmente conter a alegria diante da morte alheia. O dinheiro ainda está faltando dentro da carteira mas o café novo tá dentro da garrafa, não achei lugar melhor pra colocá-lo e minhas mãos não aguentavam contê-lo. Tive que deixá-lo em qualquer lugar, procure dentro da garrafa, ok? Ele se recusou a ficar junto com a fumaça dos cigarros que fumei na angústia de descobrir sua traição mais uma vez em meus sonhos, então deixei que ficasse onde bem entendesse.
Eu não me importei com comida nem bebida tratei de deixar limpa a água, mas não usei sabão, só nas mãos..Daí deixei pendurado atrás da porta o resto de tempo que me sobrou. Deixei também milimetricamente desleixada a solidão em cima de sua cama, não me cabia mais tanta dor e resolvi repartir. Faça melhor proveito dela que eu, me recuso a aceitar qualquer espécie de sentimento. Andei vasculhando suas memórias e me assustei ao me ver em todas, rabiscada de caneta, inserida feito nariz de velha fofoqueira em janela aberta na madrugada barulhenta da sexta de carnaval que jamais acaba dentro de mim.
Eu não queria escrever mais nada pra você, mas achei muito desaforo não responder à altura sua insensatez, não não, não, não balance a cabeça é por sua culpa que todos morreram no final.
Tentei deixar tudo como estava, mas roubei sua paz e sequer me importo se você enlouquecer quando perceber a bagunça que fiz remexendo nas gavetas íntimas...Tenho que ir antes que perca a chuva.
Adeus!
Obs: Não adianta me procurar eu não sou mais quem eu sou.
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