terça-feira, 31 de março de 2009

Cérebro de Boneca

Cerebro de boneca
Doce demais
Calmo demais...
Estranho demais
Derretendo na boca
escorrendo dores verdes rosadas
espalhadas nas palmas das mãos das bonecas invisíveis
no solavanco dos trancos do carro velho
a boneca descansa no colo morto
cansaço
estafa estufa incansável torrando cérebros e begônias
...
Perdi meu primeiro cérebro de boneca
mas o gosto insiste em ficar na boca
nos olhos
nos muros
no barulho da torneira pingando sobre o chapeu...
Cérebro de boneca...
Doce demais...
Suave demais...
Delicado demais...
Entediante demais...
Mastigando e cuspindo
Mastigando e cuspindo...
Cérebros de bonecas
pendurados em fios invisiveis de dor e solidão...
Não há infância nem saudade...
Há cérebros de boneca por toda parte...
A assustadora realidade
a deprimente realidade...
Dilacero meu corpo
dilacero o mundo
com a doçura insana
dos cérebros de boneca...

3 comentários:

Pablo Araújo disse...

Grande. Praquê dizer mais?

Anônimo disse...

Q encantamento me trouze seu blog! Profundo! Doído! Leve... uma confusão de sensações deliciosa!!!

carol disse...

Samy, ameeeeei esse poema!