Cerebro de bonecaDoce demais
Calmo demais...
Estranho demais
Derretendo na boca
escorrendo dores verdes rosadas
espalhadas nas palmas das mãos das bonecas invisíveis
no solavanco dos trancos do carro velho
a boneca descansa no colo morto
cansaço
estafa estufa incansável torrando cérebros e begônias
...
Perdi meu primeiro cérebro de boneca
mas o gosto insiste em ficar na boca
nos olhos
nos muros
no barulho da torneira pingando sobre o chapeu...
Cérebro de boneca...
Doce demais...
Suave demais...
Delicado demais...
Entediante demais...
Mastigando e cuspindo
Mastigando e cuspindo...
Cérebros de bonecas
pendurados em fios invisiveis de dor e solidão...
Não há infância nem saudade...
Há cérebros de boneca por toda parte...
A assustadora realidade
a deprimente realidade...
Dilacero meu corpo
dilacero o mundo
com a doçura insana
dos cérebros de boneca...
3 comentários:
Grande. Praquê dizer mais?
Q encantamento me trouze seu blog! Profundo! Doído! Leve... uma confusão de sensações deliciosa!!!
Samy, ameeeeei esse poema!
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