
E de repente o espelho te recebe com os olhos rasos d'água...De repente o céu se transforma em lágrima...De repente o vazio infinito se atormenta dentro do copo de vidro...De repente o vazio ensurdecedor se cala...E se embala no colo da anciã lacrimosa...
E na porta da casa estão os restos de uma vida,os restos do que ousou ser você...A visão do que realmente é no espelho cega os olhos surdos na ponta dos dedos ruidosos...
Na porta da casa restava os restos de um corpo com dedos ruidosos...Chorando chorando e cantando a eterna mágoa do mau...Cantar até o ar faltar...Na eterna desilusão de nunca parar o coração de bater...A reticência que não basta para não dizer o que o corpo despreza...
Eu não quero fazer sentido só sei que meus pedaços voam ao vento e ninguém é capaz de entender o quanto é ...Ser...
Sou eu no espelho,na frente da porta,na frente da mágoa erguendo a bandeira e odiando deuses e demônios por questão de gosto...
"Por que você é assim?"
"Por que você é?"
O ser parado em frente a porta cantarola coisas que me faz sofrer...Você não entende nem nunca entenderia que depois de comer tantos cérebros de bonecas a maldade e a ignorância dominam suas mãos e te fazem boiar na lama....
Você se dizia orgulhoso,você espreitava os meus gestos nas ruas e nos bares enquanto eu me derretia em pequenas gotas de lágrimas sulfúricas....
Eu olhava pra cima e te perguntava pra que tanto tule nos prédios em construção e você ria e dizia insanidades e eu ali...Existindo apenas ganhando migalhas de sexo e atenção remunerada de silêncios e suspiros....
A inspiração comercializada e artificial que quando acabar explodirá em pedacinhos de papel gasto e solas de sapatos...
E de repente o espelho te recebe com os olhos rasos d'água....Embriagado de cachaça e com o sofrimento pendurado no pescoço...Fui pra fora roubar flores de cemitério pra economizar dores...
Nenhum comentário:
Postar um comentário