sexta-feira, 6 de março de 2009

Se você soubesse o quanto dói me ver pelos seus olhos
Se você pudesse ouvir
Se você quisesse...
Ontem pensei que morreria hoje não sei mais se sofro
Hoje não sei mais se minto ou se são mesmo reais...
Cada lágrima cancerígena que brota dos meus olhos
Apaga cada som que povoava minha mente obscurecida
De sonhos borrados abaixo dos olhos negros de carvão
e canções angustiadas gravadas na pele
e o esquecimento gradativo de tudo aquilo que te arrancou a alma...
A reticência habituada a preencher os caminhos tortuosos
de quem não sabe escrever...

Se você soubesse o quanto dói me ver pelos seus olhos...
Se você pudesse ouvir...
O grito emudecido de um coração
de um ser que não tem culpa por existir...
A agressividade pintada de prata no pedestal da memória
arranca fios de dor das dobras da palpebra...
No papel manchado de sangue que te dei pra provar que estava viva
Pra te provar que não há ninguém do outro lado
que aqui dentro é quase tão escuro quanto o semblante de fora
quanto o corpo que machucado desliza pelos dedos do ser que faz o mundo girar
quanto a noite que te envolve em veludo e solidão...
Se você soubesse o quanto dói me ver pelos seus olhos...
Cegaria seus olhos ...
Me transformaria em poeira
em estátua de nuvem
em constelação de medos...

Se você soubesse o quanto dói...
Mataria meus sonhos e me jogaria ao mar
ao vento
ao tormento
só pra destruir...
Só pra instruir o silêncio que sobraria no mundo
sem meus gritos
sem minha impaciência
sem minha falta de educação
sem meu mal humor....
Mar de mel nos lábios...
Mar de fel no coração...

Se você soubesse o quanto dói me ver pelos seus olhos....
Não veria o mundo mais...

Um comentário:

Renato Rodrigues disse...

A velha e mesquinha dor...
Belo
aplausos Saaaam!!!