sexta-feira, 20 de março de 2009

Delírio calmo




A música tem a minha idade e é tão normal pra mim me sentir velha que nem importa mais a cidade ou a decência e a demência e os contratos que deixo de fazer porque não quero compactuar com coisas que desconheço porque quando as baratas chegam ninguém pode fugir porque o sonho e o medo e o segredo de dormir debaixo da cama a infância e o céu azul se tornando negro daí o céu desaba e você chora e não tem pra onde correr porque a impaciência já dominou seus pés e quando mundo acabar quem enterrará os corpos e os copos sujos de bebida e veneno de rato e o ex trato do banco perdido e o telefone caído enquanto ninguém te responde aonde foi que eu coloquei o isqueiro e o cigarro acabando e o vento carregando o mundo e as árvores enquanto quem sabe um dia tudo se resolva e nada dê errado e eu possa dormir embriagando crianças com histórias de mentiras enquanto a dor arruma as malas eu aguardo o desespero chegar porque as lágrimas já se foram e as flores do caixão murcharam e o corpo sedente fedendo à morte e cachaça desliza cabides no ar do hospital quem foi que permitiu que meu coração fosse como um estômago que só recebe e nunca se sacia enquanto o tempo passa e o cérebro incha de água e solidão de mortos vivos na tela da parede da pálpebra e de quando eu for embora e levar meus sapatos e nem deixar rastros e nem perdoar fatos que encantam um pouco de luz e a sombra do ipê quebrando a janela do carro que passa fazendo barulho no sono que não tive e que espero você chegar pra dizer que cansei de esperar respostas e ovnis e estranhos seres sorridentes que emudecem quando canto na porta da frente e rego os fogos de artifício e os mortos entregam as almas dos filhos e os cães vertem lágrimas enquanto o vento escapa das narinas de um deus morto e surdo e emadeirado o perfume que chegava dos seus cabelos seus dedos entre o cigarro fumado entre a vida e a morte fumando seres invisíveis e desprezível eu sou por querer que o mundo entenda que meus cabelos não são manchados de sangue que roubei que entreguei por engano a vida que enraizou na palavra contida nos olhos do enfermo do louco que não gosto de asilo e até que alguém me responda eu não vou respirar mais nunca mais nunca mais voltar aqui e ver essa papelada amarelada com bichinhos verdes rastejando em suas mãos porque eles não tem pernas nem olhos pra ver que com medo nada resolve eu disse mas nunca adiantou se preocupar agora eu só quero que isso passe que isso acabe que isso vá embora que eu gosto de música feliz enquanto a vida é triste e desaba em solidão angustiante e eu já disse que sou maníaca depressiva auto destrutiva e que se você olhar meus olhos eles vão pular em você e você vai sumir entre a fumaça e essa maldita dor de cabeça que nunca param de cair meus cabelos no vento da janela aberta do carro e eu passando mal e você contando piadas do tempo que eu era feliz e bonita nas cinzas que me joguei ninguém me larga ninguém me enxerga e isso me basta enquanto enquanto eu esqueço as palavras e tudo se torna tão vazio o sol queimando os ossos dos que restaram sob ele eu cansei cansei cansei cansei de viver cansada de tudo do tédio da vida que nada altera a dor da solidão nada é solidão até que você percebe que nada é real além da sua própria solidão ansiei sorrisos mas recebi pedras nas mãos e risos inconformados e possessão de demônios e anjos correndo com facas nas mãos e eu nem estou aqui eu nem estou aqui não estou mais não respiro não vivo não existo mais

3 comentários:

Renato Rodrigues disse...

isso tudo aconteceu na cidade do meu sonho?
sempre lindo sam
muuuito bom

Pablo Araújo disse...

Tem post sobre vc. Bjs e obrigado pela visita.

Löяy Davis disse...

Ui...sem pontos, mtos arrepios...
Eu te amo Samy!