
O que fazer quando bate aquela vontade incontrolável de chorar? Quando o desejo de sentar-se no meio fio da rua e se amargurar até derreter no asfalto quase derretido de tanto sol? O que fazer quando o espelho se torna a mais repulsiva amostra de que o tempo passou e você cultivando pequenas estrelas e sonhos só vê a desgraça à espreita? O que fazer quando o mundo resolve desabar em sua cabeça e a solidão machuca mais do que deveria? Joguei fora meu coração semana passada, resta um corpo inchando, inchando, decompondo de dentro pra fora... Não, a dor é melhor companhia, a suspeita das glórias póstumas, a curiosidade de ver quantos olharão pra trás procurando quem já se foi... As lágrimas estão cansadas de cair e evaporar infinitamente, voltando todo dia para os meus olhos... Elas estão cansadas e eu não consigo mais sustentar meu corpo... Estou tentada ao comodismo, mas dolorosamente tenho escolhido partir. Partir meus planos ao meio e jogar ao vento os papéis picotados, voando na chuva pesada que cai dos meus olhos. O tempo está fechado,o farol das nuvens anunciam a tempestade, o pior chegou. E de repente tenho que me controlar para dizer tudo o que preciso gritar para evitar as malditas análises poéticas... Isso tudo é tão injusto... E eu ando tão triste.. Tão machucada, tão atropelada pela minha dor. E as pessoas agora resolveram me analisar... As pessoas resolvem me entender quando o que eu quero é só um sono infinito, sossego, desconhecido e ausências... E eu vou sair por aí... Me embriagando de bocas desconhecidas, de sensações esquecidas e o riso em meu rosto revela a descrença em mim mesma... Infelizmente, não sou mais quem eu era, envelheci e adormeci e me acocorei nas esquinas, nos pedaços de esquecimento que meu rosto lembra... Mais uma vez me encontro sozinha dentro do eterno quarto escuro do meu interior e aterrorizada eu quero sair, quero fugir, quero desaparecer de mim, de todos... Não há nada mais belo que a saudade, não há nada que enobreça mais que a ausência... Eu vou por aí, semana que vem quem sabe... Eu vou por aí... Desencantar mais pessoas, adquirir mais maus hábitos, me tornar mais rude, mais grosseira, fingir que engoli o choro pra me tornar mais digna de pena... Me falta tanto ainda por conseguir e meus planos vão pela enchente de erros que lava meus pés e afoga meu corpo em lama e desespero. O curioso disso tudo é que por mais que alguém finja se importar, ninguém realmente quer fazer algo... A culpa é minha mais uma vez... E eu brindo feliz ao meu fracasso... E realmente, é bem mais fácil fingir... É bem mais fácil aceitar... É bem mais fácil engolir o choro e voltar a viver...
Por enquanto eu ainda vivo...
3 comentários:
Agora só encaixa o velho clichê: " Levante e siga em frente"
Tombo?
Decepção?
Lágrimas?
Erros?
São todos itens de coleção Sam
E com o tempo, ficarão todos expostos na tumultuada sala da memória
até a próxima cacetada
Até a próxima exposição
Te adoro minha amiga
Sempre
Que coisa mais linda! Profundo, triste, mas lindo. Muito bem escrito!
Eu não sei bem o que te aconselhar, porque eu me sinto da mesma forma e procuro saída pra isso a todo momento. Mas.. fica bem. :)
A chuva para Fernando Pessoa deixa-o triste. Alberto Caeiro diz que só o deixa molhado.
Chore.Apenas chore. Vai descarregar e só deixar o rosto amassado. Ver as coisas de forma mais simples sempre é mto bom.
Abraço Sam
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