sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Sobre...


Dei pra falar sozinha agora. Olho as paredes e sofrendo pela ausência de rosto desenho com a unha quebrada um sorriso pra me entreter. E falo, falo, falo, como sempre pra me esconder de mim mesma, falo coisas sem sentido, emendo assuntos desconexos, rio e choro e grito sem sequer sonhar os motivos...


Mas de uma coisa eu guardei a aprendizagem: jamais me satisfazer com as migalhas de surpresa que o Universo traz. Aliás, Universo é o caralho...Ao inferno as convenções.

Respiro...........................................................................................................................
Como dizia, ando falando sozinha  ultimamente. E o prazer que isso me traz é inexprimível. Sem preconceitos, sem respostas, sem pedir explicações, a parede me encara e tenta me beijar e tenta me abraçar ao mesmo tempo que foge de mim e me deixa de mãos vazia abraçando o infinito. É uma agonia que me enternece, a sensação de companhia, a ausência desta, a presença daquela...Pois bem, enlouquecendo ou não, tenho falado sozinha...Fugindo dos espelhos, dos conhecidos: a solidão nunca teve um gosto tão bom.

A eterna procura por aquilo que me machuca.A eterna paixão pela dor que arrebata e aquece. Me encolhendo na cama, tentando virar feto entrar dentro da terra: morrer é retornar aos braços da Mãe. Nada mais justo.
Parece que nunca vai passar a ânsia por algo maior, algo mais feliz,algo menos dolorido, algo mais definido.
É como se o infinito estivesse dentro da minha garganta embolado naquilo tudo que comi e que dá voltas dentro de mim querendo sair. Daí falo, falo, falo, mais pra me esconder do que pra me explicar...
Encontro dentro das minhas lembranças um lugar colorido e cheio de poeira branca... Aquilo que nunca fui, aquilo que não estou disposta a ser, aquilo que só aquilo poderia ser se eu não fosse eu...
E num quase remorso perco meu tempo contando as moedas que sobraram do meus sonhos e vejo que o que sobrou não paga um amigo. Nem um cigarro.
Um amigo.
Era.
As paredes não pedem explicações nem satisfações e satisfazem-se com a carícia gelada da mão trêmula engatilhando um risco na pintura... Desfazendo história, atiro pás de pedras e terras e cascalhos e ossos humanos tentando me enterrar viva. Mais um projeto inacabado. O cansaço do meu corpo carrega marcas de algumas encarnações... A carne que renego, sim renego. Sim, me mato me vingo e renego...
As marcas que o corpo trás... As marcas que a vida faz... As marcas que eu cultivo demais...
Vou marcando gente feito gado, deixando minha lembrança no peito marcado a faca num x no seu coração banhado em lágrima e desejo...
Eu procuro engolir a voz,engolir a vontade, engolir , engolir, engolir... Até engolir os ossos, o corpo e a vida... Até me esquecer..
Mas deixo gravada em k7 aquela velha oração, aquela boa e bonita canção saudando a chegada da solidão...

3 comentários:

Nina disse...

Talvez um tempo sozinha é a melhor forma de se encontrar.
Lindo texto!
=*

Löяy Davis disse...

INHÍ

Gabriel Henrique Ribeiro David disse...

oportunidade, a formula do sucesso
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