segunda-feira, 1 de agosto de 2011


Aparece pintado no céu com pedaços pequenos de nuvens presas nas asas dos passarinhos uma declaração de amor não feita, uma consideração desfeita e um punhado de pequenas dores colecionadas com zelo e devoção.
Aparece escavado no meu rosto o caminho das lágrimas que à procura do mar invadiam meu corpo e lavavam minha alma enquanto a dor me dilacerava a paz.

-É uma questão de preferência...Há uma pesquisa que diz que homens ricos preferem as magras...

Descobri embaixo da cama coberto de poeira uma imensidão de sentimentos desperdiçados, decidi não guardá-los mais... Joguei tudo no esgoto engoli com café quente e finji me importar.
Mais uma vez aquela impressão da esquizofrenia impune desrespeitar minha lucidez:
-...não cultivo flores nem sentimentos, mastigo toda a fúria e cuspo no espelho. Aguardo ansiosamente a visão da aparente revolta que guardo no peito, mas vivo com medo...Há sempre um par de olhos pontiagudos me perseguindo na cama de madrugada...Toda a vida é uma madrugada..Essa noite jamais vai passar. Me machucaram com alegria enquanto recolho meus destroços canto atrás da porta um Chico Buarque baixinho olhando nos olhos da fossa embriagada de solidão...

Há muita coisa pra jogar fora...Há muito lixo dentro de mim...Queria estar louca o bastante  para derramar sangue alheio, desatar laços sanguíneos e fugir com o mar...
Eu volto constantemente meus olhos procurando algo que me desfaleça, procurando algo que me enlouqueça..O excesso de lucidez me assombra e tenho medo de me perder dentro de mim...A solidão não dói mais...É o barulhinho da máquina de tatuagem, é aquela coceira doída que pinta a gente de fora pra dentro... Feito lágrima...

-...não há ninguém lá fora, só o barulho dos carros e o riso das putas... Sinto falta de mim quando era apenas eu e minha solidão..Agora tenho satisfações a dar àqueles que queria mortos...Àqueles que sequer se importam...Mas a recíproca é verdadeira..Cansei de mentiras e de telefonemas..Cansei de sentimentos e falsas juras de amor...Entrego seu nome aos demônios e espero sua felicidade definhar...Só há uma dor maior , só há uma dor maior...

A loucura das paredes brancas desafiando a escuridão brilhante do céu sem lua...Enrolado em meus cabelos meu ódio segura minhas mãos e sorri ao me ver roendo meus dedos com angústia...

- ...e eu só queria uma dose de paz...

Um comentário:

Anônimo disse...

Ei Samy!

Texto forte e maravilhoso..

bjo na testa!