quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Parada aqui meio sem saber o que dizer o que já é rotina ultimamente fico tentando ver seus olhos que se negam a olhar pra mim é tanta inverdade e feiura que nem sei mais como segurar o copo que engasga meus sentimentos que nem ao menos posso encontrar na boca a palavra certa a falar chega de embriaguez tenho que me aceitar tenho que me encontrar no espelho do qual fujo esses olhos essas mãos que ainda me assustam é tanta coisa pra fugir e eu só falando merda criando situações constrangedoras pro dia seguinte à ressaca não posso me arrepender de nenhum abuso ao meu organismo eu sempre quis me destruir rasgando a pele e amando a cicatriz sem assinaturas nem afirmações de considerações inexistentes eu continuo buscando meu coração e a culpa é sua de tê-lo guardado no bolso quando eu me cansei de carregá-lo em minhas mãos eu guardei o sorriso no bolso e fui seguindo fazendo bobagem  desenhando com nuvens uma vida que eu destruo com músicas de ver sol se pondo derretendo na água da chuva de sol e poeira de dia frio e quente eram meus sonhos enquanto eu vivia uma ilusão pequenininha eu me sentia com a cabeça no seu ombro me humilhando implorando um pouco de seu tempo desperdiçado ouvindo conversas bêbadas estaremos todas hoje à noite um monte de bolinhas de luzes perdidas entre dedos alheios quero um anel bonito e colorido encrustrado de felicidade e cheiro de não sei como chama aquela flor um dia eu me decido desistir de tudo um dia eu me recuso a desistir de tudo conversas jogadas fora na chuva que rola pelas ruas e leva nosso excesso de solidão e a responsabilidade perseguindo puxando os cabelos e mandando ter juízo eu fui sorrindo molhando os cabelos e rindo da minha própria inquietude encontrei o foco nos olhos que se negam encontro a doçura de pedaços de saúde em meus lábios tenho medo de quem sou de quem posso ser me inutilizo me destruo e sou feliz corro entre as pessoas vendo pequenas marionetes de um mundo convencionado a tanta burrice e coisa sem sentido e me sinto meio enlouquecida de meu último devaneio procuro deuses e demônios encosto a cabeça em seu ombro e mais uma vez não me lembro da altura que vou cair quando minhas forças acabarem destruí destruí destruí meu corpo com faca de cozinha com vermes e bactérias e vícios cada vez mais desprezíveis e não me importo se você ler e não entender porque não quero mais me explicar e me repetir como todo dia me repito pisando metodicamente as mesmas pedras e me diminuindo até encolher e caber no seu bolso e continuar parada no mesmo lugar desde o século pasado

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