terça-feira, 25 de maio de 2010

Se cair e levantar dos devidos lugares que fatalmente nos pertencem  for o destino de pessoas,que, como eu invisivelmente andam devaneando pelos cantos meio emo meio grogue de qualquer droga ou qualquer fumaça ou qualquer música que embriague a alma;eu assumo a culpa.
Respiro fundo e ...Dou mais um passo.
Continuo falando insanidades como se quisesse ficar bêbada das próprias palavras que recuso controlar e que saem em turbilhões,em espirais,num fluxo contínuo de desesperos e risos descontrolados me perguntando como tanto sal cabe no mar ou como tanta felicidade cabe num sorriso ou seria tudo falso feito pano apodrecido cobrindo corpo morto ou...O céu...Ou...
Desisti de tentar controlar as palavras ou minha língua ou minhas ansiedades,só encubro esse mal com um bem intencionado desprezo por mim mesma ou por qualquer coisa que se pareça demais com a imagem no espelho ou uns seres coloridos demais ou monocromáticos  demais porque no fim tudo é decepção!
Fique à vontade pra encher de vírgulas e conclusões o que escrevo  : se escrevi nos muros era com intenção de que fosse visto pelos pássaros que morrem nos fios de eletricidade e os cachorros perdidos e atropleados e doentes das ruas e os gatos fujões e cheios de sarna e poeira de asfalto.
Foi uma conversa estranha dois pontos parágrafo e travessão.
-Estive pensando sobre o quanto é importante isso pra mim
-E?
-Não cheguei a conclusões significantes.
-Como sempre.
-Fiquei sentada no alto do morro vendo o sereno cair e cobrir os carros,protegi meus cabelos com as mãos assim ó, e minhas mãos se enrugavam de frio e no fim competia com o cigarro pra ver quem fazia mais fumaça...
-E ria feito criança aquele riso doce que enoja...Me lembro desse dia.
-Acordando os vizinhos que chamavam a polícia  que cantava com a gente vendo as coisas caírem das janelas que pendurávamos pelo ar....
-Se tudo fosse feito sonho você seria mais feliz,tenho certeza.
-Procuro aquele livro debaixo do travesseiro mas minha mãe provavelmente o jogou fora pois era escuro e escuro e treva e demônio passeiam de mãos dadas...
-Você nunca se cansa de culpar as pessoas?
-Aprendi com o espelho.
-Vamos tomar um vinho?
-Não,obrigada.Nada de felicidades pra mim por hoje.Hoje quero doer...
-Tudo sempre igual...Pessoas monótonas...
-Sim.Assumo a culpa.
Se jogando pelos cantos forçando a embriaguez,pra facilitar o choro ou  o amor de bêbado...Bêbados amam demais...E eu que já não sei mais minha condição me agarro a pedaços de possibilidades e me entrego à água do mar que fabrico na cozinha com aquela colher de fazer soro caseiro....O mar é meu !Eu grito pra deus.E o diabo ri da minha presunção.
E as litanias de satã não funcionam mais...

4 comentários:

Casa da Shy disse...

Samy,
cada vez mais deliciosos seus textos!
São um conjunto de frases para ser lidas acompanhadas de um bom café, para serem calmamente saboreadas!

PS: Obrigada por sempre passar no meu blog! Ah, e esta não é uma visita de retribuição, gosto mesmo do que vc escreve!

Renato Rodrigues disse...

Em épocas de crise
todo sonho é válido
toda alegria é válida
toda lembrança,
mesmo que vaga.
Um dia nos sentiremos maiores do que todas as dores sam.
Um dia.

Löяy Davis disse...

We are better than this! Lembre-se sempre disso.
Devaneio devaneio...
O mar é seu Sam! bjao

DANIEL CECHELLA disse...

Li seu texto, aliás, li sua alma, todo seu espirito estão aí, em meio destes caracteres que constroem sons, silabas, frases...E sua alma é deslumbrante.