quinta-feira, 30 de abril de 2009

Questão de tempo...

Você já percebeu quanto o tempo gasta trancando portas?
Você já reparou quantos muros são feitos?
Você já reparou quantas crianças andam por aí sem destino ou inteligência?
Eu nunca pensei nisso até ouvir aquela voz...
Aquela voz interior
exterior
anterior à revolta e ao medo e aos segredos que guardam debaixo do cobertor
Ouço vozes lendo as palavras e estremeço
Tenho medo de escurecer a ponto de esquecer a sanidade nos fundos do quintal
As pessoas se baseiam em pequenos pontos de vista
e esquecem que além do céu tem luz e escuro
óleo e água e degradação
e ódio e o ódio e o ódio...
Um apanhado de mundos colados quase perfeitos onde a ciranda de areia montada sobre a fonte nunca desmoronaria...
Eu nunca reparei o mundo até ouvir aquela voz...Impondo dores...Avisando solidões...
E se eu pudesse ser diferente...Se eu pudesse ver o mundo rosa....Ser rosa...
Passar mais uma eternidade destrancando portões e outras travas pra ser diferente...
O tempo acabou...
Só...
Seria mesmo só uma questão de tempo até o mundo desabar de novo...O aviso foi dado duas vezes...Eu ousei não acreditar...Agora é uma questão de tempo até trancar mais portas...Até me aceitar...E esperar o tempo passar...E essa dor acabar...


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