Eu tenho um grande ou inútil dom: o de construir mãos. Eu construo mãos com fumaça de cigarros e palavras soltas que vou catando aqui e dali de bocas quem nem sequer suspeitam do meu desejo...E naquele trabalho infinito construo mãos que quisera minhas, mas que tomam do copo ou de outro cigarro que não os meus e se embriagam de solidão que não a minha e que estão mais próximas das mãos que desejo mais que eu e por isso odeio-as.
Odeio-as.
As mãos, sim as mãos...Construía mãos como quem sabe escrever um soneto com rima rica, dourada bordada, imaculada, perfeita e por si só abandonada numa folha de papel., contra a vontade, contra a cultura, contra o vento e aprisionada numa maldita e branca demais folha de papel. Pois bem, folhas de papel não são mãos, mas são próximas àquelas mãos que queria aqui, puxando meus cabelos e jogando cinzas e terra e me enterrando as unhas nos olhos e me machucando e me deixando sozinha como estou agora, mas elas não estão aqui. Depois do sonho acordei sem as mãos, não as minhas, as suas, as suas que somem e vão embora na fumaça do cigarro e que me condenam a mais triste realidade a daquela que não possui mãos alheias.
Todos querem um amor, todos querem alguém e eu quero as mãos, só as mãos, o corpo depois eu busco dê-me suas mãos.
Um comentário:
"Todos querem um amor, todos querem alguém e eu quero as mãos, só as mãos, o corpo depois eu busco dê-me suas mãos."
Talento único.profundo porém, maravilhoso.
Tocante minha grande amiga.
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