Eu fico esperando a vida passar, o relógio dar suas voltas nessa eterna valsa das horas enquanto eu fico olhando a vida passar, eu fico assistindo o tempo passar tentando contar os segundos até o sono chegar e enquanto as rugas me abraçam eu luto em vão contra a monotonia e as falsas amizades, são tantos nomes pra se riscar da lista, tantos telefones pra deletar, tantos rostos pra esquecer, tantos sentimentos pra desagarrar de mim, usando detergente pra tirar a ansiedade, usando as cores de fora pra alegrar lá dentro, usando artifícios tortuosos pra alcançar o lustre mais alto da coleção dos ceus, dos seus olhos, dos meus medos, das palavras que ouvi e que tento em vão esquecer, mas sequer me lembro de sua voz, não há nada além de lembranças e pedaços de sentimentos que luto por colá-los...
Eu espero o relógio chegar pra sair lutando contra a minha própria tristeza e sorrir por mais um dia sem chorar, sem querer vou construindo raizes em mim mesma e agora já é impossível morrer, devagar meus dedos se movem, devagar consigo respirar debaixo de toda essa terra, aos pouco consigo encontrar em mim aquilo que procurava em você.
Eu sou minha paz e toda minha tortura, não preciso de suas mãos e suas interpretações errôneas e sua pose de inteligente, nem seus amigos infieis e nem sua realidade vendida, guardei dentro do que resta de mim a minha dignidade suja, minha incapacidade de vender meus sonhos...Rejeito seus olhos, rejeito sua lembrança, rejeito.
Digo e repito, nunca mais!

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