segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Conversa entre amigos ou meu quase ódio por Carpinejar



-Resolvi me esquecer,sabe,me esconder no álcool,na grama,nas árvores,na fumaça do cigarro,talvez eles não apareçam,se cansem de procurar...
-Duro é saber que depois de tudo,todo esforço pra se evitar o encontro,perceber que o bicho ainda está alí, parado, olhando pra gente.
-O difícil é engolir o amargo do torpor  todo dia...Hoje resolvi não fugir mais,vou encarar;talvez é pra isso que a gente tá aqui.
-Estou quase convencido disso,pro que realmente dói eu não dou atenção...
-E se ela vem e grita? Puxa seus cabelos e em mangas de camisa te arrebenta o tórax,os pulmões,as veias...
-Mas talvez de tanto fingir ela desista e nos abandone...
-A dor é mais esperta.Ela sempre vence.
-Mas sempre tem alguma coisa mais importante que nós,e se não tem a gente inventa...Substitui importâncias..A gente faz isso o tempo todo...
-É...Qualquer coisa.
-É...Qualquer...
-Eu espero passar,espero a vida inteira passar pra essa dor acabar...
-Vai sim...Vai passar...É meio bobo,mas somos maiores.Nós guardamos no peito nosso coração,somos maiores que essa dor..Sim,somos maiores...
-É mais fácil deixar de acreditar...Ou fingir acreditar...
-Fingimos tanto que nem sabemos mais...Qual máscara usar pra visitar a avó,como desaparafusar o sorriso após a foto,qual mentira contar pra se tornar agradável : "Oh,não..Você emagreceu" ...Somos todos insetos se debatendo contra a luz...
-É.
-Às vezes o emocionante seria existir menos,existir com menos força,com menos vontade...Eu o odeio..
-Quem ? A mim?
-Não.O tempo,o vento,o coração que não cansa de bater,as mãos que fingem pintar alguma palavra,mas que sempre se esquece de pintar o sorriso...
-Revolta nunca resolve.
- E desde quando procuramos soluções? Só queremos soluçar na fossa da amargura,no colo da solidão...Molhar a camiseta dele de lágrimas que nem sonhavam ser tão úteis terminando ali,finalizando um laço de cordialidade e encantamento...
-É verdade.Veja : o sol, ele não parece se importar muito conosco aqui,debaixo dele.
-E nem deveria.Somos poeira.
-Poeira de raio de sol...HAHAHA
E riso ecoou pela memória...De mãos dadas sentaram-se ali no meio-fio,na beira da vida,deitados na grama,de mãos dadas,esperando o tempo acabar,esperando passar o que jamais se sabe,se soube,saberá : segredos de um  coração doente....
Alisando as solas dos pés na grama umedecida tentando apenas descobrir como aquele maldito pôde ver as solas do sol,surge um machado.
-Aqui, ó na jugular...
-Acredite,cara amiga,será melhor assim...











Para Renato.

2 comentários:

Renato Rodrigues disse...

E Agora?
O que eu vou dizer?
melhor me manter em silêncio
Ainda não inventaram palavras pra expressar o que estou sentindo
Incrível minha amiga
Incrível!!!

Löяy Davis disse...

Mtooo massa. Maravilhoso!