terça-feira, 17 de novembro de 2009

O ser humano insiste em dizer que há algo mais que a vida
O ser humano insiste em dizer que viver vale a pena ainda
O ser humano insiste enquanto eu desisto
Morrer de fome pra ser/ter/estar
Morrer de tédio pra estar/ser/ficar
Há tantas conclusões infintitas dentro dos olhos alheios que indignada me recuso
Apenas a recusa sóbria daqueles que restaram
Aquele fio de amizade misturada na gosma dos fluidos do corpo
O ser humano insiste em dizer que há mais além do céu
O ser humano louva a arte,a dor,a afalsidade
enquanto apenas o que resta é a morte.
Sim,voltei ao ponto inicial das primeiras linhas rabiscadas,enquanto acreditava que Álvares sorria ao me ver rasgar meu corpo e odiar cada dia que vivia.
Sim,voltei à angústia saborosa do amanhã que foi ontem que não será mais...
O ser humano se preocupa com milhões de sermões de padres mortos e filósofos e linguístas,
Mas só há a morte!
Grandes deuses do cinema da década de 20,grandes poetas,grandes grandes
se foram
nem a palavra deixaram pois há mais livros pra se ler do que vida pra contar...
Só há a morte,o cheiro da carniça,o mal e a saudade
Há o abandono,a morte,a decomposição solitária e o mau.
Resta sempre o mal...Aqueles que foram assassinados em vida e deixados pra trás com um sorriso...
O ser humano insiste em me dizer que há mais além do céu...
E eu insisto em não acreditar mais no ser humano.
Cansei.

Um comentário:

Löяy Davis disse...

Se for pensar no que nos resta, a morte, nao vivemos. A morte é facil, dificil é a vida. Então, o que fazer?