terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Soturnas Esperanças de uma Alma sem Sonhos


Esperança?
Tolice morta ou inexistente...
não habita peito morto...
Escuros sonhos,
tristonhos medos,
medonhos olhos,
sinistros segredos...
solidão noturna -diurna,matutina-soturna...
Não quero falar,
nem ouvir,
nem posso
ás paredes que não me respondem
meu grito,
meu enjôo de existir
nem sequer ouvem...
Esperanças...
soturnas esperanças
-você morrendo engasgado nesse seu cinismo
nesse seu,meu,nosso desprezo...
Ah!Queria gritar!...
Alguem pisoteou flores
espalhando seus restos pelas ruas!
Apanho-as como se pudesse cola-las
mas ninguém pôde,
ninguém pode...
Alguém esmagou crânios com as mãos,
só pra sentir a textura,
só pra sentir morrer nas mãos...
Alguém jogou do prédio
meus sonhos pela janela
voou com o vento
explodindo em cacos
como cristal em mãos trêmulas...
Solidão extrema
quando não há vozes
nem paredes
nem espelhos
só a saudade grande demais
de sonhos de infância de dor de azar -de amor?...
Uma dor tão aguda que queima
como o mel fingido que escorre de seus lábios
mais fingidos que minha maquiagem
mantendo os olhos abertos
o sorriso aceso
"não deixe o sorriso apagar..."
mantendo a vida
mantendo a esperança
fingida como o sonho fingido de quem finge sonhar...
Estrondo interno de estrelas cadentes nos olhos,
num coração que não se importa
não sente mais
cego ás cores da vida...
Sigo o curso do rio
sigo o vazio do frio
sigo a dor no arrepio...
Esperança de sonhar,
acordar suspirando as doçuras da vida...
Soturnas esperanças de uma alma sem sonhos...
Tristes sonhos de uma alma vazia
um relógio parado há anos
-uma vida,talvez?-
uma chama acesa
um cigarro apagado sob a pele
um sussurro que abafa um trovão...
Sórdidos suspiros em noites desvairadas,
dois corpos sem sentimentos agindo como animais...Você sempre vai odiá-lo e amá-lo em segredo
e amar a falta até se acostumar
e não precisar de mais ninguém
ir secando ao sol
secando secando
até a pele virar pó
e não restar sentimento algum
no peito na pele nos lábios...
Respirar com o soprar do vento
falar com o canto do beija-flor...
Não existir mais
ser uma pedra
estar numa pedra...
Sons da chuva
sons do vento
sons de afeto...
sons do silêncio:
bater de asas de um anjo
ruflando num vôo cego
procurando paz entre os mortos no abismo...
Soturnas crenças...
O sangue é melhor que o amor
é mais doce
o sangue é mais quente
é mais vivo
é real,
enquanto o amor...
Ah!Esse é rude e impiedoso
não mancha as mãos
mas marca a memória
corta suas asas no meio da acrobacia
rompe tendões
te impede de andar
se mexer...
Te quebra!
Ah,amar!
É o mais triste sonho de um ser
fere sua carne à brasa sem se importar de queimar os ossos...
Tristes esperanças de quem espera esperanças
tristes sonhos de quem espera sonhos
tristes amores de quem não pode amar...
Devaneio...
Grande devaneio daquele que é triste
que espera e sonha...
Tolice,grande e maior tolice do mundo,
esperança e sonhos!...
Soturnos sonhos de uma alma sem esperanças!
Sonhos que fenecem corpo
que adoece alma
que adormece entre nuvens
anjos,demônios e bolas de sabão...
Todo esse sangue é meu
suei em noites de insônia e acordei da realidade...
Soturnas esperanças,
soturnas crenças,
soturnos sonhos,
sórdidos suspiros...
Sórdida vida...
Soturnas esperanças de uma alma sem sonhos!

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