quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

"Adeus ,anjo"


Ele disse "adeus,anjo"apenas...

Apenas...

Seu trejeito sobrehumano negava a realidade...

Ela queria saber quem era,respondi que era poeta,mas a aparência etérea dava ar de espiritual...

Fechei os olhos pra tocar a solidão que fugia...

O poeta contorcia-se em egoísmo e pretensão enquanto o anjo rasgava tiras de poluição...

Ele se afastava com perfume de criança,fazendo trança nos fiapos de cobertor...

Abri os olhos...Ainda faltava algo...A criança jogada da janela sentiria frio?

Estaria frio?O rosto deformado incomodava os olhos,mas a criança sorria ainda...

O poeta impassivelmente sereno decretava mais um verso...E o anjo?Pendurado no cabide...
Encostei na parede fria,recuei,cobri o rosto...E a menina?Morta.
Tristeza e amargura...Que alguém desinvente a realidade!...A música que treme as veias,a saudade austera do infinitivo...

Ela se foi no seu dia...Cortou sua vida,suas fitas,seus cabelos...Desligou a realidade e saltou em vôo cego...

Ele tinha mãos de inseto,mas eram quase de jasmim,a dama da noite presa nos anos 90...

Desliguei a luz...Precisava do escuro pra sonhar,precisava do escuro pra temer...
O cachorro ronca,tem pesadelos:não quero me casar...Lembro do anjo...

Me odeio por enganar a todos,a mim e a ninguém...

Gritei por dentro,a cabeça doeu,devo para por aqui...

Tenho sede,mas o anjo prende meus olhos na lâmpada,ele está a dançar...

A lua em flor pregada na parede...Outro grito;soluço...Vou dormir,não quero pensar...

Coisa de intelectual feminista ativista esquerdista contra esquerda...Ah...Não consigo mais pensar...
"Adeus,anjo"...Apenas...Tocou minhas mãos,arrepio de adeus...Começo de saudade...Maldade...

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