(Respiro fundo.)
Nas gavetas da memória constato que a verdade é mais doída que podia pensar e de fato não há prateleiras para as "ex-lembranças" e não há borracha que apague aquilo tudo que já se foi, agora diz pra mim que tudo foi culpa minha e amarra a faca na minha mão e deixa o sangue escorrer, por favor..Por favor... Me lambuzo de crenças que abomino de madrugada, fujo dos olhos que parecem buscar me conhecer mas que eu sei que dentro em breve vão também me abandonar. A voz na caixa de som alegremente se debate dentro do meu peito e sorrindo faz doer... Sorrindo faz doer...
(Sorrindo pro vazio do meu peito. Escancaro a voz...)
Assim como todos os meus ex- amigos, assim como todos aqueles hipócritas que guardo no coração com carinho... Assim, devagarinho... Vou reconstruindo o sorriso premoldado dos embriagados e vou lutando pra escalar o buraco onde quis me enterrar, mas a covardia reina, a covardia, a covardia... Cada dia mais me renego, me entrego aos demônios mas não há solução. É só o dinheiro que importa, é só o sexo sujo e as palavras de ordem, é só a saudade e é só isso...É saudade, é só isso...Saudade grudada no dente... Depois que tudo acabou...
Grito.
Engulo o grito, cansei de brigar....Depois de tantos passos errados, de tanta merda plantada na terra com as próprias mãos, tudo que resta são cartões em envelopes coloridos que queimo e jogo no esgoto. Meu passado... Vou cultivando as mesmas lembranças, fantasiando que você ainda me lê nos sorrisos de outras vidas, mas tudo se foi e o que resta é o lixo pra reciclar. E mais um nome pra esquecer. Mais uma pessoa pra matar... Eu continuo perguntando por que você fez tudo aquilo se não lhe servia mais... Mas a voz falha e a lágrima me impede de pensar, e a voz não sai quando precisa e assim desisto.
Não adianta mais. Ninguém mais vai ouvir... Ninguém pode ouvir a voz do vazio.

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