segunda-feira, 22 de março de 2010


Já não sei mais quando acreditar nas pessoas já nunca sei mais quando a loucura vai passar pequenos vícios no dia que for embora não bata a porta e não saia gritando por aí minhas imperfeições estava bêbada sempre estive sempre aparece a lua às vezes não me lembro mais como fazer pra me sentir meio feliz ou meio triste a solidão é conveniência tenho que ter do que reclamar é cômodo vago pra aluguel pra coleção de sonhos sorrisos antigos amigos meus que se foram sem sequer importar "é uma questão de preferência" é melhor que eu e vocês preferem que seja que exploda com cabeças e cabeças e cabeças de bonecas e a minha nossa angústia e o velho egoísmo pintado em vermelho na boca escancarada bebendo água de chuva e pânico de gente velha e ponto e vírgula e reticências queimando queimando queimando com vodka e gasolina queimando queimando queimando seria melhor nem tentar entender porque nem vale a pena olhar dentro de mim há muita sujeira e poeira em cima dos livros e coisas que prefiro fazer pra me machucar e me culpar e sofrer com tudo aquilo que escolhi pra eu não me perder da perdição monte de palavras sem qualquer sentido em cima da ponte caindo dos prantos um corpo resiste no fundo da alma do rio de lama que vai embora pra nunca mais voltar há muito mais pra me preocupar e eu insistindo nessa infinita embriaguez eu nunca falo coisa com coisa e repito os números e as sombras e os gritos um dia passa essa vontade de ir embora batendo as portas e gritando meus medos e indo embora com um belo vestido e um cachorro felpudo de lã guardado nas fotos feito cachecol no pescoço de deuses feitos de gelo e saudade de uma infância uma infancia duas infancias eu me canso de esperar os dias passarem o cabelo crescer ou a vida acabar nessa pressa de morrer tenho pressa de esperar um sorriso mais outro uma vida mais outra um abraço e se foi ave aprisionada abandonada parece que ainda posso ver os sinais as sombras aquele desejo pendurado nos olhos das pessoas boas dos sonhos contidos braços cruzados corpo cruzado partido no meio da avenida talvez seja essa a busca talvez a loucura baste politicas de consciência e modos de usar e bulas de remédio e não entendo como funcionam os partidos e a politica e a confusão das idéias minhas delicadas utopias que vou abandonar daqui seis meses mas tento não me abandonar não me tornar aquilo que odeio já não sei mais quem são pessoas e o que são sombras perdida numa vida que não é minha rua escura vento frio acordar e ver o sol lá fora queimando queimando queimando a pele alheia vou embora decisão tomada vou-me embora pro mar vou-me embora vou-me embora

Um comentário:

Löяy Davis disse...

Parece q vc ta dirigindo numa estrada desrespeitando os sinais, totalmente desgovernada. Fico lindo Samy ! Poetisa! bjao