
E vi aqueles par de olhos flutuando no vazio,olhos cor de melissa.Eles andavam,rodopiando no infinito de órbitas escancaradas feito bocas famintas de ilusão...Sua voz escorria pelos lábios e nada mais havia que fazer:APAIXONEI-ME.Aquele jeito de pegar no cigarro,a displicência do copo desajeitadamente seguro por dois dedos de gelo dentro do whisky.Agarrei-me àquele par de olhos gigantescamente sombrios.
Forcei os olhos míopes pra certificar que não sonhava,até que senti o toque.Mãos de olhos tocando a face derretida na prateleira.A conversa fluía e eu não conseguia encarar tais olhos.Um pavor estranho se apoderava de mim.A voz invadia a pele e entrava pelos poros feito veneno,feito droga.E ele ousava gritar e pedir mais samba,mais música, "ande quero dançar,traga-me uma morena, quero dançar tocando violão e punheta".Seus modos me assutavam e eu escutava apenas.Nada podia dizer.Nada mais existia além daquela conversa.Eu sentia as palavras mas nada entendia.Só ouvia.Voz de olhos cor de estrela.
Instintivamente estendi as mãos.Tinha que tocar,ter certeza do sonho,pra acordar com o toque nas mãos ainda.Mas na posição que estava,o braço não podia alcançar.
Cansada,agarrei meio metro de cobertor.Aconchegada no braço do sofá pego o controle remoto,desligo a tv.
Até mais ver Chico.
2 comentários:
Own...q lindu samy
Não sei pq mas recordei aquele velho samba que diz: meu samba vai curar teu abandono...
belo Sam. sempre belo
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